Os jogos lúdicos nestes tempos modernos ganharam outro nome: Gamificação. Use e abuse, mas cuidado há perigos no caminho.

Confesso que quando comecei a escutar  o termo “Gamificação” tive um pouco de dificuldade de entender o seu significado. Imaginei se não estavam indo longe demais com o uso da tecnologia no processo de vendas. Também tenho um pouco de pé atrás com o e-learning quando é usado para treinamentos (pode ser pura resistência). É que tive algumas experiências improdutiva, de resultados duvidosos com o e-learning, mas isto é outra história.

O fato é que está virando moda falar sobre gamificação e então eu fiquei curioso. Quem não adora uma novidade, não?

Quando descobri pensei: “Então é isso?”. Lembrei de Lavoisier e sua clássica constatação “Na natureza nada se cria nada se perde tudo se transforma”.

Por isso ter uns quilômetros rodados é muito bom. A gamificação na venda nada mais é do que usar jogos lúdicos que estimulem a competitividade a integração dentro da equipe de vendas. O uso de desafios, gincanas e outros jogos que provoquem uma competição interna é parte das estratégias de gestão há algum tempo.

Nós já usávamos os jogos e as gincanas como estratégia de motivação em 1756. Bom nem tanto. Digamos há uns 10 anos atrás.

Engajamento. Esta é a palavra chave.

Imagine 10, 30, 100 pessoas reunidas em um espaço fechado durante 8h. Diariamente. Com o objetivo único de falar ao telefone. Sentadas, organizadas em espaços individuais pequenos e nada personalizados (pelo menos não na maioria).

Acrescente a isso os hormônios à flor da pele dos jovens de 25 anos em média. Inclua na receita a energia e capacidade de fazer 10 coisas ao mesmo tempo das gerações atuais.

Isso é uma bomba relógio! Espere de 2 a 3 meses de rotina neste círculo vicioso e o ambiente fica viciado, desanimado, com os vendedores contando as horas para ir embora dali.

Os jogos de competição vêm como uma válvula de escape para tornar este período  mais dinâmico e com objetivos imediatos, o que dá a sensação de movimento e permite a socialização dentro do ambiente de trabalho.

Já que eu tenho que estar ali, que isso seja prazeroso. Este é o lema. Criar competições internas permite isso.

As regras do jogo

Ao propor uma competição interna certifique-se de organizar a bagunça para não ter mais dor de cabeça do que resultado. Para isso queremos sugerir algumas dicas:

A regra é clara: Ao desenhar o jogo e definir suas regras certifique-se de que tudo seja muito claro, objetivo e principalmente simples. Regras muito complicadas ou em quantidade trás desânimo e desmotivação. É sempre bom lembrar que pensar dói.

Enquanto isso na sala de justiça: Seja justo. Cuidado para não beneficiar os espertinhos e prejudicar os esforçados. O jogo deve premiar aqueles que realmente atingiram os objetivos pelo trabalho e esforço próprio.

Tempo, tempo, tempo, tempo: Estipule resultados e premiações em curtos espaços de tempo. Ninguém tem paciência de jogar durante semanas. Lembre-se que somos todos ansiosos e queremos a recompensa hoje. Então, se possível, trace objetivos e remunerações diárias, semanais, quinzenais e o prêmio final ao fechar o mês. Há campanhas que duram 6 meses ou até um ano, mas elas obedecem as regras citadas acima.

O apressado come cru: Antes de divulgar as regras da competição faça simulações. Invista um tempo testando os resultados e veja qual a grande dificuldade para se atingirem os prêmios maiores ou o prêmio final. E mais, se o jogo vale a pena para a empresa. Alguns gestores ficam preocupados em fazer um jogo legal e esquecem que o objetivo principal do jogo é trazer resultados.

Cortem-lhe a cabeça: Cuidado para que a competição não se torne um tipo de caça às bruxas ou promova comportamentos racistas ou humilhantes. A missão é ser divertido e positivo para todos.

Se está bom para todos…:  Não imponha nada. Chame os próprios participantes para decidir qual jogo, criar as regras e implantar o desafio junto a equipe.

Que comecem os jogos!

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